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Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor: “Chegar aos 50 anos reforça o compromisso da federação em continuar trabalhando para um transporte mais eficiente e acessível”

A Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor) comemora 50 anos de atuação no dia 11 de abril. Em entrevista à Technibus, presidente da entidade fala sobre a mobilidade na região e sobre a trajetória da federação

Publicado em 10/04/2025 por Márcia Pinna

Eudo Laranjeiras, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor)
Eudo Laranjeiras, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor)

Fundada em 1975, a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), filiada à Confederação Nacional de Transportes (CNT), representa sindicatos de empresas do setor de transportes nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, contribuindo para o desenvolvimento e a modernização do transporte coletivo da região.

TECHNIBUS Quais os principais desafios do transporte coletivo na região nordeste?

Eudo Laranjeiras – Um dos principais desafios do setor para a nossa região é o convencimento dos órgãos gestores em priorizar o transporte coletivo. Mas priorizar de verdade, com uma política de transportes. Este tem sido um desafio constante: mostrar ao gestor que nós somos apenas operadores de transporte, e que a responsabilidade pelo serviço e pela infraestrutura é toda do poder público. E também mostrar para a população que nós somos corresponsáveis por esse serviço.

TECHNIBUS – Como lidar com a perda de passageiros causada pela concorrência com os aplicativos de transporte individual (por motos e carros)? É possível recuperar esses passageiros?

Eudo Laranjeiras – O transporte coletivo sofre a concorrência do transporte individual por aplicativo e isso é um problema que precisa ser pensado seriamente para que não se definhe o transporte público. O transporte coletivo é necessário, é essencial e tem que ser priorizado – não só nas vias, com faixas e canaletas exclusivas, mas também na hora de custear esse serviço. Nós teríamos que ter uma taxa para quem usa o ônibus, e o restante dos custos deveria ser dividido para toda a sociedade por meio de impostos. Eu entendo que para ocorrer a recuperação desses passageiros que têm se perdido na última década, a solução está aí: uma passagem módica, que atenda aos anseios da população e que possa concorrer com os aplicativos – que têm algumas vantagens, pois não pagam os mesmos impostos, o que é uma dificuldade adicional. O poder público, que é o responsável pelo transporte coletivo, tem que entender que precisa subsidiar o usuário.

TECHNIBUS – Como o senhor avalia o processo de descarbonização no transporte da região? A eletrificação é a maior tendência? E o biometano?

Eudo Laranjeiras – Nós entendemos que eletrificação da frota do transporte coletivo passa pela implementação da infraestrutura. Como eu disse antes, a infraestrutura é responsabilidade do Estado. Não adianta simplesmente comprar um ônibus elétrico, o que é muito fácil. O difícil é você contar com uma infraestrutura para que os operadores possam abastecer os veículos com rapidez e tenham condições de servir a população com qualidade. Não adianta ter um ônibus elétrico, que não polui e é bastante moderno, mas que tenha dificuldade de abastecimento. Já o biometano é um tema que aqui na nossa região é pouco falado, mas temos que continuar perseguindo novos modelos de tecnologia limpas para que possamos fazer uma descarbonização segura, e que, sobretudo, atenda bem à população.

TECHNIBUS – Quais os destaques nas comemorações aos 50 anos da Fetronor?

Eudo Laranjeira – A Fetronor promove o seminário “Caminhos do Futuro: desafios e oportunidades no transporte de passageiros”, no dia 11 de abril, no Auditório Sest-Senat, em Natal (RN), com a presença de especialistas, empresários e autoridades. O seminário foi idealizado para discutir mobilidade no Brasil e até fora do país, mostrando a necessidade da priorização do transporte público. E para isso contamos com a presença de Francisco Christovam, diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Sustentabilidade e meio ambiente, e como nosso segmento pode contribuir para melhorar a situação atual é um dos temas apresentados. Outro convidado é o economista e ex-ministro Maílson da Nóbrega, que aborda a situação econômica atual do país e o que esperar para o futuro, e os desdobramento desse tarifaço lançado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. E ainda estamos lançando um livro, “Fetronor: a luta pelo transporte de passageiros de ontem, hoje e amanhã”, que é uma coletânea da história da federação, dos fundadores, dos pioneiro e dos sindicatos que a compunham, do Amazonas até a Bahia. Buscamos mostrar a importância desses verdadeiros baluartes que perceberam a necessidade de se unir e criar a federação. O livro mostra essa trajetória e parabeniza todos os pioneiros do transporte na região.

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