Terry Hinman, vice-presidente Americas do Grupo Modaxo: “O mercado brasileiro, assim como muitos outros mercados latino-americanos, é amplamente atendido por operadoras privadas”

“O retorno sobre o investimento é crítico para qualquer comprador de tecnologia, mas especialmente crucial para uma operadora privada que compete por concessões de longo prazo com margens mínimas”, destaca o executivo

Technibus – Como atua o Grupo Modaxo? Como o grupo é estruturado?

Terry Hinman – O Grupo Modaxo faz parte do Grupo Volaris, que, por sua vez, faz parte da empresa controladora de capital aberto Constellation Software. A Modaxo é formada por um conjunto de dezenas de empresas de software e hardware em todo o mundo, e foi criada com o propósito específico de utilizar tecnologia para fornecer soluções de mobilidade e transporte de pessoas para todos os passageiros, operadoras e agências de transporte público.

Technibus –  Qual a estratégia da Modaxo no Brasil? Qual o papel da Trapeze nesta estratégia?

Terry Hinman – A Constellation Software é uma empresa controladora de alto crescimento e altamente focada em aquisições – reconhecida como a adquirente mais estratégica de empresas de software de mercado vertical há muitos anos. Dito isso, a estratégia da Modaxo no Brasil tem sido primeiramente estabelecer sua presença no mercado ao comprar a Empresa 1 e a Cittati, no final de 2018 e início de 2019. Ao concluir essas aquisições, a Modaxo ganhou automaticamente anos de percepções e relacionamentos com os clientes para aplicar a outras soluções que se encaixariam no mercado. Outras empresas Modaxo, como Trapeze, TripSpark, Signature Rail e TransTrack, por exemplo, fornecem soluções específicas de transporte de pessoas em milhares de sistemas em todo o mundo, incluindo transporte sob demanda, sistemas de planejamento e programação, gerenciamento de ativos corporativos, inteligência comercial e informações do viajante. A intenção é customizar e oferecer esses produtos exclusivos feitos sob medida para as necessidades específicas dos clientes da América Latina e do Brasil em todos os segmentos de mercado – operadoras e agências de nível superior, inferior e intermediário e clientes finais.

Technibus – Como a Cittati e a Empresa 1 estão inseridas nesta estratégia?

Terry Hinman – Conforme observado, a Empresa1 e a Cittati já são participantes importantes no Brasil e têm alguma presença localizada em outras partes da América Latina. A Cittati e a Empresa1 se beneficiam da continuidade do sucesso anterior no mercado brasileiro, bem como ganham força em outros mercados latino-americanos com os amplos recursos agora disponíveis na Modaxo.

Technibus – Como o senhor avalia o mercado brasileiro de transporte coletivo e mobilidade em comparação aos outros mercados latino-americanos? Quais as peculiaridades do mercado brasileiro?

Terry Hinman – O mercado brasileiro, assim como muitos outros mercados latino-americanos, é amplamente atendido por operadoras privadas. A diferença é que em outras partes do mundo os sistemas (de transporte coletivo de passageiros) são diretamente financiados e operados por governos locais, estaduais ou regionais. O retorno sobre o investimento é crítico para qualquer comprador de tecnologia, mas especialmente crucial para uma operadora privada que compete por concessões de longo prazo com margens mínimas.

Enquanto isso, o passageiro e as prefeituras de todo o Brasil e dos outros países da América Latina querem saber se podem contar com um serviço otimizado das operadoras. Qualquer fornecedor de provedor de tecnologia de transporte pode monitorar uma operação quando as coisas estão funcionando de maneira previsível e sem problemas. No entanto, devido à realidade do ambiente operacional brasileiro, os sistemas de transporte raramente são facilmente previsíveis e operam sem interrupção. E isto não é uma crítica às operadoras, mas apenas uma observação da realidade da ‘gestão do caos’ diária no trânsito do Brasil e outros países da América Latina. Por causa de nossas décadas de experiência na solução de problemas de trânsito e transporte fundamentais, os sistemas Modaxo podem atender melhor quando o serviço é interrompido. As operadoras e agências recebem a melhor tecnologia para oferecer suporte à decisão para otimizar a recuperação, e o público recebe as melhores informações para saber o que pode esperar de seu serviço em tempo real.

Technibus – Que produtos e serviços a Modaxo deve trazer para o país e América Latina?

Terry Hinman – Além dos sistemas completos de cobrança automática de tarifas e gestão de frotas já oferecidos pela Empresa1 e Cittati, a Modaxo oferece um conjunto completo de produtos de tecnologia que resolvem problemas em quase todos os aspectos de uma operação de transporte público. Isso inclui: planejamento e programação, gerenciamento de ativos, informações ao viajante, gerenciamento da força de trabalho, gerenciamento de pátio, comportamento e telemática do motorista, gerenciamento de estacionamento e inteligência de negócios. Essas soluções são adequadas em qualquer ambiente em que a tecnologia é implantada para mais do que um propósito “bom de se ter” e o retorno do investimento para o comprador é fundamental.

Technibus – Em termos de tecnologia, quais as tendências que devem predominar no Brasil?

Terry Hinman – As empresas da Modaxo estão na vanguarda em soluções de tecnologia de transporte voltadas para o cliente, dentro de veículos, back office e equitação. Isso inclui ofertas de SaaS (Software as a Servce), MaaS (Mobility as a Service) e até mesmo HaaS (Hardware as a Service). No entanto, as tecnologias mais recentes são apenas uma ferramenta na caixa de ferramentas. Queremos manter nossos clientes para sempre, o que significa que devemos estar sempre próximos de nossos clientes e em constante vigilância para descobrir como resolver seus problemas em constante evolução. Se permanecermos próximos de nossos clientes e realmente entendermos como a tecnologia pode ser utilizada para resolver seus problemas diários, todo o resto irá fluir.

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