Pandemia afeta o desempenho da Marcopolo

A encarroçadora de ônibus fechou o primeiro trimestre de 2021 com queda na produção, na receita líquida e prejuízo líquido de R$ 14,7 milhões

Sonia Moraes

O impacto que a pandemia da Covid-19 causou no setor de transporte coletivo afetou no desempenho da Marcopolo. A empresa fechou o primeiro trimestre de 2021 com receita operacional líquida de R$ 834 milhões, 9,3% abaixo dos R$ 919,4 milhões registrados no primeiro trimestre de 2020.

A receita de exportação do Brasil foi de R$ 156,9 milhões, 26,7% inferior aos R$ 213,9 milhões apurados no mesmo período do ano passado. Já a receita no exterior atingiu R$ 228,3 milhões, redução de 3,2% em relação ao primeiro trimestre de 2020, e o prejuízo líquido foi de R$ 14,7 milhões.

“O efeito sazonal que observamos regularmente no primeiro trimestre de cada ano somou-se a novos fechamentos de cidades, restrições de locomoção e aumento dos casos da doença, afetando os resultados da companhia e do setor”, observou José Antonio Valiati, CFO (Chief Financial Officer) e de relações com investidores da Marcopolo.

Produção –

A produção consolidada da companhia totalizou 3.016 veículos no primeiro trimestre deste ano, 12,4% inferior aos 3.441 veículos fabricados no mesmo período de 2020. Do total, 2.586 unidades foram feitas no Brasil (12% inferior à do mesmo período de 2020) e 430 no exterior (14,2% abaixo do volume do primeiro trimestre de 2020). Já a produção total de ônibus no país caiu 32,6% no comparativo anual, totalizando 3.065 unidades no primeiro trimestre deste ano, sem incluir os ônibus do modelo Volare.

A participação de mercado da Marcopolo na produção brasileira de carrocerias foi de 51,6% no primeiro trimestre de 2021, ante 57% no mesmo período de 2020. “O destaque do trimestre foi o incremento de 10,7 pontos percentuais no segmento de rodoviários em relação ao quarto trimestre de 2020, relacionado ao aumento da exposição da companhia no setor de fretamento.

O mercado de fretamento, ônibus mais leve dentro da categoria de rodoviários, representou 68,9% dos volumes do segmento no primeiro trimestre de 2021 (32,5% no primeiro trimestre 2020”, informou a empresa em seu balanço financeiro.

A Marcopolo esclarece que no mercado interno, a produção foi sustentada pelo setor de fretamento, beneficiado pela utilização de mais veículos para manutenção do distanciamento no transporte de empregados às empresas, bem como pelos volumes direcionados ao programa federal Caminho da Escola em micros e Volare. No primeiro trimestre, a companhia entregou 761 veículos para o programa – 397 micros, 40 urbanos e 354 modelos Volare.

“As entregas ao programa Caminho da Escola continuarão no segundo trimestre e deverão alcançar 4.800 unidades, quantidade próxima ao total que vencemos na licitação de 2019. O mercado de rodoviários e micros também deverá ser beneficiado a partir do segundo semestre com a reabertura de escolas e universidades e com a retomada do turismo”, acrescentou Valiati.

Mercado externo

As exportações também foram impactadas pela segunda onda de Covid-19, totalizando 427 unidades no primeiro trimestre deste ano, queda de 34,1% sobre os 648 veículos embarcados no mesmo período do ano passado.

A companhia negocia novos pacotes para o continente africano, com parte dos pedidos sendo transferida do primeiro para o segundo e o terceiro trimestres. As operações na Austrália e na Argentina apresentam perspectivas positivas. O mercado australiano está praticamente normalizado e o argentino continua necessitando renovar a frota de ônibus urbanos.

“A Marcopolo Argentina deverá continuar apresentando volumes crescentes à medida que a planta consolida a sua expertise na produção de urbanos, lembrando que essa fábrica se dedicava somente a rodoviários”, comentou Valiati.

A Marcopolo México e a Marcopolo África do Sul observam uma recuperação discreta no curto prazo, que deverá se tornar mais consistente a partir do segundo semestre. Na Colômbia, com a finalização das entregas de veículos para a renovação da frota de Bogotá, a coligada Superpolo mantém resultados saudáveis, com tendência de incremento também a partir do segundo semestre deste ano.

Já a coligada canadense NFI Group Inc. deverá se beneficiar da vacinação mais rápida na América do Norte, bem como por políticas de renovação de frotas por ônibus elétricos em seus principais mercados, na avaliação da companhia. “A companhia segue contendo despesas e investimentos, e mitigando os aumentos de custos causados pela inflação com ganhos de eficiência e repasse de preços. Continuamos focados em ganhar competitividade e desenvolver produtos inovadores, direcionados ao transporte coletivo integrado e sustentável, para aproveitarmos as oportunidades na futura retomada do mercado”.

 A Marcopolo esclarece que nas exportações, houve queda na produção de urbanos, que havia sido favorecida no primeiro trimestre de 2020 por pacotes direcionados ao continente africano. Nas operações internacionais, o ramp-up da produção de urbanos na Argentina não foi suficiente para equilibrar as perdas de volumes nos demais países.

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