Mercado de ônibus é o mais afetado do setor automotivo

Dos 18.405 veículos fabricados no ano passado, 15.471 unidades foram de modelos urbanos e 2.934 unidades de rodoviários

Sonia Moraes

As montadoras encerraram 2020 com queda de 33,5% na produção de ônibus, com 18.405 unidades, ante os 27.671 veículos fabricados em 2019. Este é o pior resultado acumulado do setor desde 1999, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Isso mostra o quanto o setor está sendo muito afetado pela pandemia da Covid-19”, comentou Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, responsável por veículos pesados.

Em dezembro do ano passado, a produção de 1.009 chassis ficou 40,8% abaixo de novembro (1.705 unidades) e 15,4% inferior ao mesmo mês de 2019 (1.192 unidades), representando o pior resultado desde 2016.

Do total de chassis de ônibus produzidos no ano passado, os modelos urbanos tiveram uma redução de 30,6%, de 22.288 unidades em 2019 para 15.471 unidades em 2020. Já nos rodoviários a queda foi de 45,5%, de 5.383 para 2.934 unidades.

Vendas –

Nas vendas, as montadoras contaram com a participação do programa Caminho da Escola para atingir o emplacamento de 13.931 veículos em 2020, mas mesmo assim a redução foi expressiva de 33,4% em relação 2019, quando foram vendidos 20.932 ônibus no país.

“Foi o pior resultado acumulado do setor desde 2017. O mercado de veículos pesados tem os dois extremos, com o segmento de caminhões bastante positivo e o de ônibus muito negativo, o que mostra que o 2020 foi um ano muito difícil”, disse Saltini. A previsão da Anfavea era que o setor terminaria 2020 com retração de 36% em relação a 2019 com o emplacamento de 13,5 mil veículos.

Em dezembro do ano passado, as vendas de ônibus atingiram 1.145 unidades, 17,1% a menos que em novembro de 2020 (1.381 unidades) e 40,5% abaixo de dezembro de 2019 (1.923 unidades).

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, comentou que a queda de 33,4% nas vendas de ônibus em 2020 – a maior de todo o setor automotivo – foi influenciada principalmente pelo segmento de urbanos e rodoviários. “Esses dois setores foram muito afetados pela redução das viagens durante a pandemia”, disse Moraes.

Exportações –

Nas exportações, mesmo com todos os esforços das montadoras, os embarques de ônibus caíram 42,3% no ano passado na comparação com 2019, de 7.136 para 4.119 unidades.

Os embarques de ônibus rodoviários foram reduzidos em 19,5%, passando de 2.691 unidades em 2019 para 2.166 unidades em 2020, e as exportações de modelos urbanos tiveram retração de 56,1%, de 4.445 para 1.953 unidades.

Em CKD (veículos desmontados) as montadoras reduziram em 7,7% as exportações de ônibus, de 2.320 unidades em 2019 para 2.141 unidades no ano passado.

Previsão –

Para 2021, a Anfavea projeta crescimento de 13% para o mercado de ônibus com a venda de 16 mil veículos. A entidade considera relevante a continuidade do programa Caminho da Escola para a sustentação do avanço do setor.

“A licitação de quase sete mil ônibus escolares que iria acontecer no início de janeiro foi postergada, mas deve ocorrer ainda neste mês e esperamos que o Caminho da Escola tenha participação importante no segmento de ônibus neste ano”, disse Saltini.

O vice-presidente da Anfavea lembrou que o mercado de ônibus ainda continua muito afetado pela pandemia da Covid-19. “O aumento da contaminação pode provocar mais restrições de deslocamento das pessoas e isso afeta diretamente o setor. A nossa expectativa é que tenha crescimento, mas que seja sustentando pelo Caminho da Escola”, afirmou.

Ranking –

No ranking de 2020, a liderança ficou com a Mercedes-Benz, com venda de 6.446 ônibus, 42,2% a menos que em 2019 (11.146 unidades). O segundo lugar ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que vendeu 4.246 veículos, 22,9% a menos que no ano anterior (5.509 unidades), e o terceiro com a Agrale, que comercializou 1.614 veículos, 27,6% abaixo de 2019 (2.229 unidades).

Na sequência, está posicionada a Iveco com 603 ônibus vendidos, aumento de 138,3% sobre 2019 (253 unidades), a Volvo com a venda de 444 ônibus, 40,3% a menos, e a Scania com 394 veículos, redução de 56,3%.

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